terça-feira, 13 de dezembro de 2016


feliz natal

Série Hybrida

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Asas Negras - Cap 3 Espinhos - Parte 1

 
O alarme escandaloso da Escola Federal Darcy Ribeiro tocou, anunciando o horário do intervalo da manhã. Nem bem terminou o eco, os alunos já arrastavam cadeiras e mesas, saindo apressados das salas num tropel. 

Yashalom apenas olhou triste, por uns instantes, para os seus colegas que saíam da sala em algazarra. Voltou-se imediatamente para os seus cadernos, aonde copiava as matérias perdidas. Raquel, de longos cabelos encaracolados e grandes olhos castanhos escuros, pára ao lado da mesa, chamando a atenção da amiga. 

" Yasha! Vai perder o intervalo de novo?! "

A garota sentiu uma pontada de aborrecimento e chegou a olhar feio para a outra, mas abrandou ao reconhecer preocupação no rosto da amiga. 

" É o jeito! Estou com muita coisa atrasada para pôr em dia. Pra variar, as copiadoras não estão funcionando! Estamos em maio e este mês há muito o que se fazer na floricultura, e por causa disso estou chegando tarde em casa e não tenho como fazer mais nada, morta de cansaço! "

" Aposto que nem tem jantado! "

" Sempre dá pra preparar um miojo... "

Percebendo que Yashalom não queria prolongar a conversa, Rachel apenas concordou. " Tá bom, então! Você é quem sabe! "

Yashalom voltou aos seus cadernos, escrevendo o mais rápido que conseguia, deixando um rastro de garranchos. Estava tão concentrada que não percebeu alguém a observando da porta, e nem se deu conta de que tal pessoa se aproximou dela, parando ao seu lado. Só segundos depois ela notou o vulto, sentindo um gelo inexplicável subir por sua coluna. Receosa, subiu o olhar até encontrar os olhos esverdeados de Wojtyla, que a observava em silêncio, calmamente. 

" Droga! É você?! Por que você tá parado quieto aí?!" – Com raiva, a garota jogou a caneta sobre o caderno, que bate com a ponta e solta a tinta, manchando seus garranchos. " Aaah! Olha só o que você me fez fazer!! "– Desesperada, passou a mão por sobre a tinta ainda fresca, obtendo um resultado muito pior. Wojtyla interferiu.

Continua...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 2 Mundo - Parte 5

 
 
Como se o chão se tornasse líquido, os corpos são submergidos lentamente, até não restar mais nenhum vestígio. Zach passa por onde os corpos foram engolidos pela terra, indo em direção à garota que se mantinha imóvel, encolhida contra a árvore, com uma das pernas formando um ângulo estranho. Percebendo o Daemon, que matara os outros dois de forma extremamente fácil, se aproximando dela, encolheu-se o máximo que era possível, rezando para que também a terra lhe tragasse antes que aquele homem chegasse até ela. 

Zach retirou o balandrau que trajava por sobre a túnica, parando diante da garota, que mantinha ainda mais o corpo encolhido e o rosto escondido, tremendo muito. Ela estava seminua e, onde suas vestes foram rasgadas, havia arranhões profundos causados pelas garras dos seus atacantes. Mas o que chamou mais a atenção do Guardião foi a perna direita dela, esticada e com o joelho virado para um lado improvável. Meneou a cabeça, abaixando-se frente a ela e, sem dizer palavra alguma, espalmou as mãos sobre a perna torcida. Ao perceber isso, a garota soluçou de medo. 
 
"Não há mais nada a se temer, criança. "

Uma onda de calor emanou das mãos do Guardião, fazendo com que a região ferida se avermelhasse. A garota, vencendo seu medo, ergueu a cabeça para ver o que aquele Daemon fazia com sua perna, que se aquecia em um calor que fazia a dor latejante ceder. Quando a dor passou e a quentura amenizou, ela pôde novamente movimentar a perna: estava curada! 

Zach jogou o balandrau sobre a jovem Daemon, que o olhava com um misto de apreensão e agradecimento. O Guardião ajudou-a se levantar. Apesar do corpo desenvolvido, ela era apenas uma adolescente. 

" Você é muito vulnerável por não possuir a Força Psíquica nem a Força Física. Não ande mais a só se não é capaz de se defender, menina! "

Fim do Capítulo 2.
Continua...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 2 Mundo - Parte 4


Excitados com a provável descoberta, os dois Daemons se esqueceram de que o alvo do tal boato estava ali presente, e do perigo que isso representava para eles. Começaram a fantasiar planos com tal conhecimento. O grandalhão começou. 

" Mas isso é uma mina de ouro! Imagine o que poderíamos fazer se tivermos como refém o herdeiro do Senhor do Sul?! "

" O Presbitério não vai gostar nada de saber que o seu Escolhido é um pai desnaturado que põe crias no mundo e as abandona como um animal selvagem! Nós próprios é que nos tornaríamos os Senhores de Terras do Sul se entregássemos essa verdade àqueles velhos inúteis! Isto, é claro..." – E Sig se voltou para o Guardião, que o encarava com um misto de apreensão e fúria. " ...se o poderoso Zach achar que a vida do bastardo mestiço vale mais do que a sua reputação! "

Os dois comparsas começaram a rir, baixando completamente a guarda. Ouvir a sua criança ser chamada de bastarda foi a gota d'água para Zach! 

A energia em volta do Guardião começou a se desenvolver e chispar o ar, fazendo movimentar em torno de si as folhas secas do chão, algumas até se dissolvendo. Quando Zach reabriu os olhos, suas pupilas estavam fechadas em fendas, como as de um gato, e a Marca de sua Força, o símbolo que carrega marcado em sua fronte como uma tatuagem, se abre numa luz carmesim, liberando a energia contida em seu chakra frontal. 

Com velocidade e força muito superiores às dos Daemons comuns, Zach agarra o grandalhão pelo pescoço, suspendendo-o a centímetros do chão. 

Assombrado com tal ataque, o renegado tenta inutilmente se livrar das garras do Guardião, que o estrangula, quebrando-lhe em segundos o grosso pescoço com apenas uma mão. O corpanzil cai pesadamente no chão, feito um boneco de trapos. Sig, que também ficou assombrado com a velocidade do ataque, recobra sua ação, e de seus punhos saem dois esporões enormes em forma de ponta de lança recurvada, partindo para o embate. 

Zach se desmaterializa no momento que uma das garras parece atravessá-lo, o que desnorteia o renegado. Ressurge às costas dele, que tem apenas alguns segundos de vida. O Guardião espalma sua mão direita sobre a cabeça de Sig, desferindo uma descarga de energia térmica, incinerando-o internamente através dos chakras. 

Tudo se tornou novamente silencioso na enganadora tranquilidade daquela floresta. Apenas o chiar do vento quebrava aquele silêncio repentino, farfalhando nas folhas secas, arbustos e árvores. Os dois corpos sem vida, estirados no chão recoberto de folhas e galhos, são contemplados calmamente pelo Guardão, que se mantém abstraído por alguns segundos até que, por fim, estende sua mão direita na direção deles, emanando dela uma energia em ondas.

Continua...

sábado, 22 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 2 Mundo - Parte 3

" É para isso que usam a Força? Para atacar pela floresta aos fracos e desavisados? Até mesmo crianças?! "

Pasmo, o Daemon renegado se desarma, voltando-se para o outro, na dúvida se gargalhava ou não. 

" Ei! Tu tá enganado, Sig! Não pode ser o mesmo Daemon que matou o Guardião do Norte durante a guerra! Frouxo desse jeito, não mata nem um inseto! "

Sig, pensativo, se afasta dando as costas ao comparsa e ao Guardião, levando a mão ao queixo e sorrindo cinicamente. 

" Afrouxou, é? Ah... mas acho que sei a resposta para isso... acho que aquele boato não era só conversa fiada! Quando me contaram não pude acreditar, mas... "

Voltando sua atenção para a garota que permanecia encolhida entre as grossas raízes da árvore, onde estava caída e machucada sem condições de fugir, Sig tornou a falar, usando de malícia. 

" Todos sabemos que muita coisa mudou depois que Imăm, o antigo Guardião do Norte, morreu. Inclusive que alguns Daemons se deram ao luxo de ficarem mais mansos... Então Zach, o salvador das Terras do Sul, agora virou protetor das criancinhas que vagam sozinhas pelo bosque? "
 
Voltando-se para Zach, Sig alarga seu sorriso debochado. 

"Por que essa preocupação com as criancinhas desamparadas da floresta, grande Zach? Será que é porque isso te lembra do teu filhote com uma mulher do Plano Terrestre? Como você conseguiu copular com uma mulher do outro Plano é um mistério, mas, afinal, vocês feiticeiros são capazes de coisas esquisitas, não é?! "

Tal revelação transpassou o coração de Zach como fosse uma lança de gelo, e ele não conseguiu manter sua habitual serenidade. Seu espanto em saber que criaturas tão baixas e rudes tinham conhecimento de um segredo seu, fez com que demonstrasse em sua expressão. Zach estava aterrado! 

Os dois Daemons começaram a rir vitoriosos, após o instante de assombro ante a reação do Guardião. Até então, aquilo era um boato que se espalhava timidamente pelas tabernas e paragens ordinárias, mesmo porque ninguém se atrevia a comentar abertamente qualquer coisa a respeito de um Guardião, ainda mais um boato tão inverossímil. Mas a reação de Zach confirmava que havia alguma verdade naquilo. 

Continua...

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 2 Mundo - Parte 2


"Suas terras?! Estrangeiros?! Quem é você, maluco? Tá de sacanagem com nossa cara?! Sei, você quer é participar da nossa festinha, é isso! "

Zach fechou as mãos em punhos, estalando as suas articulações, embora sua expressão permanecesse imperturbável. 
 
" Larguem a garota! "

Os renegados se encararam e riram, desdenhando o perigo iminente que corriam, atitude típica de criaturas que não apenas perderam o respeito por si mesmas, mas também – e principalmente – pelos outros. 

" HA HA HA! Tu viu isso?! "

"Acho que sei quem é o maluco! Me contaram uma coisa sobre ele, mas, na hora, não acreditei! "

Deixando a garota de lado, os marginais encararam Zach. Começam a rodeá-lo, olhando-o de alto a baixo. Zach, porém, permanecia calmo, até mesmo de olhos fechados. 

" Será mesmo este o temível Daemon Zach, Guardião das Terras do Sul?! " - Falou o menor, rodeando com seu típico andar felino, sorrindo debochado, deixando à mostra seus dentes pontiagudos. 

" Não seja idiota, Sig! O Guardião deve ter mais o que fazer! Esse aí só quer a vadiazinha pra ele! Almofadinhas não caçam e não dividem sua comida com os plebeus, não é mesmo? " – Completou o grandalhão, olhando de queixo erguido para Zach, mais baixo do que ele em quase duas cabeças. 

" Mas a presa é nossa! Nós a vimos primeiro! "– O outro gritou em resposta, ofendido com as palavras do próprio comparsa. 

" Só a Realeza é egoísta assim, Sig! Deixe que o grande Zach, ou seja lá quem é esse aí, tire um pedacinho dela e veja que a plebe não se atém às migalhas como eles! "

Zach ri, ironizando. 
 
" Como são estúpidos! "

O grandalhão se enfurece e agarra Zach pela gola da túnica, tendo a outra mão fechada em punho, preparado-se para espancar o Guardião. 

"Quem é o estúpido aqui, heim?! Perdeu a noção do perigo?! "

Nem um traço de receio passou pela mente de Zach, embora ele, aparentemente, estivesse na desvantagem da força bruta, e que o renegado mais forte e violento o subjugava com um punho gigantesco a poucos centímetros de seu rosto. Muito sério e calmo, o Daemon encarou seu agressor, mantendo a voz firme e suave de sempre. 

Continua...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 2 Mundo - Parte 1

Em uma realidade paralela, há uma selva muito antiga, chamada pelos habitantes locais de Floresta Aleivosa, com muitas árvores milenares de troncos tão grossos que são necessárias várias pessoas juntas para abraçá-los. Os galhos igualmente grossos se curvam por sobre a estradinha de terra batida, recoberta de folhas secas, ladeada de arbustos e espinheiros em flor. Essa floresta antiga, tal qual a nossa imensa Amazônia, germinou sobre um vulcão inativo há milênios, criando toda a exuberância de vida fértil sobre a terra igualmente muito antiga. 

O lugar, embora semi-civilizado, tem uma tranquilidade enganadora, pois oculta perigos que vão além da esfera selvagem. Apartados dos povos da floresta, que vivem em comunidades isoladas umas das outras, estão renegados que têm a maldade como único propósito, sempre a espreita de presas que lhe pareçam fáceis – são os marginais daquela sociedade. 

Um grito de desespero corta aquele falso sossego, e é respondido por risadas de escárnio. Uma jovem de longos cabelos escuros está jogada ao chão, tentando inutilmente lutar contra dois homens de aspecto rude. Um se assemelha a um gorila despelado, de musculatura protuberante e cabeça nua e pequena; o outro era esguio, de cabeça angulosa com cabelos longos e negros. Andava como um gato, nas pontas dos pés. 

A jovem se debate, mas cada ato de resistência seu é correspondido com um de violência pelos algozes, havendo arranhões profundos em seus braços e colo. Enquanto o mais encorpado mantém facilmente a garota presa ao chão, o de andar felino cuida de rasgar as roupas dela, deixando as marcas de garras no corpo frágil. 

" Se ficar fazendo esse jogo duro, você só vai se machucar mais, vadiazinha! "

Uma onda de energia radiante varre o local, chamando a atenção dos marginais, que se alardeiam e se voltam para todos os lugares, a fim de descobrir de onde partiu tal manifestação. 

Ao centro de um círculo de poeira e folhas secas, que se movimentavam em função da energia que ali se manifestava, surge um homem alto e esguio, de longuíssimos cabelos negros escorridos, vestido em túnica longa e escarlate. Sua expressão era impassível, séria. 

" O que fazem em minhas terras, estrangeiros? "

Continua...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 7

Yashalom, heroicamente, se controlava para não explodir todos os palavrões que brotavam dentro dela. Trincou os dentes e apertou com toda a força os punhos, a fim de não perder o decoro completo. Quando se virou para a classe, deu de cara com todos os alunos e a professora olhando para ela: uns com escárnio, outros com aborrecimento pela interrupção... como a professora, por exemplo. 

Perturbada com tudo que havia acontecido e ainda encarar todos aqueles rostos de censura e zombaria, Yashalom esboçou a única coisa que poderia fazer sem perder completamente a sua dignidade: sorriu, mesmo sendo um sorriso sem graça. 

" Hum... Bom dia! E... desculpe a interrupção...! "

A professora, aborrecida, apontou perigosamente a régua que segurava em sua mão para Yashalom e dela para a carteira vazia na fila do meio, ordenando-lhe grosseiramente.

" Sente-se logo, Sant’Anna! "

Cabisbaixa, evitando olhar para os colegas, Yashalom chegou até sua carteira, jogando a mochila sobre a mesa e afastando a cadeira o mais silenciosamente possível. Era apenas impressão dela mas, em sua paranóia, sentia que todos prendiam a respiração enquanto lançavam olhares venenosos e curiosos a ela. Quando se acomodou, a atmosfera do lugar parece ter se descarregado, e todos voltaram aos afazeres de antes, como se não tivesse acontecido nenhuma interrupção. Rachel Soares, uma mulata de cabelos encaracolados, sentada ao lado de Yashalom, se debruçou levemente para o lado, atenta à professora. 

" Yasha! O que aconteceu desta vez?! " – Sussurrou tão baixo que por pouco a outra não conseguia entender o que ela perguntava. 

Yashalom apoiou os braços sobre a mesa, levando as mãos ao rosto, inspirando fundo, não acreditando em tudo que aconteceu em um período tão curto de tempo. Limitou-se a uma resposta curta, mesmo porque não era possível mais do que isso. 

" O pior! " – Talvez não fosse para tanto, mas pressentia que teria grandes problemas pela frente, ao ter que passar a conviver com o veterano do terceiro ano...

Continua... 
 
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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 6


A garota aprumou-se, jogando sua cabeça para trás como se a pedir inspiração divina, e falou ao garoto por sobre o ombro. 

" Acho que precisamos nos entender... "


Wojtyla ainda se demorou alguns instantes para responder, como se estivesse avaliando se a garota merecia ou não uma resposta. 

" Concordo... e o faremos mais tarde. "


" O quê?! C-como assim mais tarde? Isso tem que ser agora! " – Yashalom virou-se abruptamente, com as mãos fechadas em punho e uma enorme vontade de usá-los contra o jovem polonês. 


" Não tem e não será agora, Yashalom. Agora a senhorita tem dois tempos de História. Conversaremos durante o intervalo." – Respondeu calmamente, tendo sua atenção voltada para um caderninho. 


Yashalom congelou e flamejou de um segundo ao outro. Puxou estabanada a mochila de suas costas, procurando desesperadamente por sua caderneta de horários e não a encontrando. Voltou-se feroz para o garoto que, por mais calmo que aparentasse estar, um brilho cínico dançava em seus olhos de obsidiana. 


" Isso é um abuso! Como pegou a minha caderneta?! Você não vai controlar meus passos, não vai mesmo! Me dê isso aqui! "


Conseguiu tomar à força sua caderneta, enquanto o veterano continuava a não esboçar nenhuma reação, embora ele demonstrasse se divertir com a situação. 


" Não é abuso. É mais fácil do que imagina pegar a sua caderneta de horários, quando você facilita tanto deixando-a tão exposta nesse bolso transparente da mochila..." – E toma de volta a caderneta sem nenhum esforço. " E, sim! Irei controlar todos seus passos dentro e fora da escola! "


" O QUÊ?!! "


Yashalom, estupefata, é praticamente jogada para dentro da sala de aula por seu Tutor. Ainda assim protesta. 


" Isso é completamente absurdo! Você é um prepotente, um abusado, isso sim! "


" Não há nada de absurdo por aqui, Yashalom, já falei... conversaremos depois. " – Sem que Yashalom percebesse, ela já estava dentro da sala de aula. 

" Teremos a tarde toda e mais este fim de semana para entrarmos num acordo, está bem? "


" Quem é que tem a tarde toda por aqui?! Só se for você, folgado! "

Wojtyla fecha a porta, olhando-a pela janelinha de vidro. 

" Tenha um bom dia de aulas, Srta. Yashalom de Sant’Anna. "

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 5

O Coordenador a interrompeu bruscamente, como de praxe. 
 
" Sei, eu conheço essa história. De qualquer forma, o Sr. Wojtyla será o seu Tutor Estudantil, lhe orientando e auxiliando naquilo que for necessário em seus estudos e dentro da escola. E uma ajuda extra é sempre bem-vinda, concorda Srta. Sant’Anna? "

Diante da rigidez de Rubens, Yashalom teve que baixar a cabeça e concordar, mesmo contrariada. Afinal, não lhe foi dada escolha. Sequer lhe fizera uma pergunta: ela fora intimada pelo Coordenador, o segundo cara mais importante da Escola Federal Darcy Ribeiro, a ter que passar o restante do seu ano letivo acompanhada por uma sombra! 

" Sim, senhor... "

" Então posso confiá-la aos seus cuidados, Sr. Wojtyla? "

" Claro que sim, senhor! Não decepcionarei ao senhor nem à escola. "

Nunca, ou poucas vezes na vida, Wojtyla recebeu um olhar tão letal quanto o que Yashalom lhe direcionou, carregado de asco pela adulação que ele demonstrou. Ela nada disse, mas em sua mente gritou um palavrão do fundo de sua alma! Fosse coincidência ou fosse porque o garoto captou a energia tênue que aquele gesto mudo de Yashalom provocou, ele lhe retribuiu com um rápido olhar cínico, dando a entender que se divertiria muito com a situação. Por mais rápido e sutil que fosse, tal olhar não passou despercebido pela menina, nem a mensagem que nele continha. Levantando-se, o Coordenador dá por encerrada a rápida reunião, dispensando os alunos. 

" Srta. Sant’Anna, a partir de agora o que combinamos aqui será posto em prática. E quanto ao senhor, Wojtyla, saiba que a boa conduta e o bom desenvolvimento escolar da tutelada lhe será gratificante, serão alguns pontos a mais em seu histórico escolar e será contando como horas de estágio. "

Ao sair do gabinete, Yashalom sentia-se como alguém condenado à crucificação. Wojtyla estava inexpressivo. Nem um esboço do cinismo que demonstrou a ela minutos antes transparecia em seu semblante. A garota pensou em sair dali o mais rápido e ficar o mais longe possível de seu Tutor e dessa situação em que se meteu, mas estacou dois passos adiante, sendo obrigada a rever sua postura. 

Quanto mais demorasse a acertar um entendimento com o veterano, mais difícil seria driblar a imposição do Coordenador. 

Continua... 
Os capítulos seguirão por postagem, para facilitar a leitura. Se quiser adquirir o Romance em formato de livro, poderá fazê-lo através destes links:

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domingo, 2 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 4

[“ O que está havendo comigo?! Por que estou tendo esses sonhos esquisitos?! Isso tudo é culpa deles! Mas, às vezes, parecem tão reais... mesmo quando acordo, os sonhos continuam... e se parecem tão reais, poderiam... poderiam ser lembranças?!” ]

Yashalom pula de susto na cadeira quando a porta do gabinete é aberta de rompante. Com a respiração descompassada, a menina olha intimidada por sobre o ombro, com o sentimento de um condenado que está prestes a receber o seu carrasco. 

Assim que a porta se abre, o Coordenador entra igualmente de rompante, tendo um vulto esguio às suas costas, que entra logo após e se mantém pouco visível aos olhos de Yashalom, que estranha. Acreditava fervorosamente que o Prof. Rubens viria acompanhado do Diretor para o sermão que lhe passaria antes da suspensão – ou mesmo expulsão! 

Somente quando Rubens foi para sua cadeira, atrás da escrivaninha, indicando a cadeira vaga ao lado de Yashalom para que o rapaz se sentasse, é que a menina reconheceu quem era o “vulto”: um aluno sisudo do terceiro ano, que apenas conhecia de vista. Ela o olha muito desconfiada, quase indecorosa. 

[“ Um veterano?! Mas o que ele tem a ver com a situação?!” ]

O Coordenador, Prof. Rubens, se volta para Yashalom em sua voz de trovão, assustando mais uma vez a menina que parece viver em estado de abstração. 

" Srta. Yashalom de Sant’Anna, os seus atrasos e o seu rendimento escolar estão se tornando preocupantes, mas sei que é boa aluna, é esforçada, e não seria justo puni-la com uma suspensão, portanto... "
 
Os olhos amendoados de Yashalom se arregalam, como se ela tivesse recebido a mais terrível das notícias. 

" ...estou designando o Sr. Józef Palmas Wojtyla para ser o seu Tutor Estudantil durante todo este ano letivo. " – Rubens completou, ignorando o estado petrificado da aluna.

Yashalom se engasga com as palavras, pasma com a atitude que o Coordenador tomava contra ela. Era mil vezes preferível levar uma suspensão a ter uma sombra a lhe seguir por toda a escola, ditando ao seu ouvido o que ela podia e não podia fazer! Se possível, ela ficou ainda mais pálida do que era naturalmente. 

" M-mas... n-não é preciso! Eu vou me reajustar! É que eu estou com muito serviço pra fazer no meu trabalho e tenho perdid... "
Continua... 
 
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sábado, 1 de outubro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 3

" Vamos até o meu gabinete. " –  Prof.  Rubens cortou o gaguejar da aluna, asperamente. 

O Coordenador Rubens era  um homem que poderia ser comparado a uma tábua de madeira: áspero, reto, seco e de arestas quadradas. Estava no meio do caminho em tudo: tinha a estatura mediana, o tipo físico mediano e já passava da meia idade, que era denunciada pelas mechas de cabelos grisalhos nas laterais da cabeça  –  onde, aliás, estava a maior parte dos cabelos restantes; a outra maior parte estava no generoso bigode, que não permitia sequer ver seus lábios se moverem, o que dava a impressão de que ele, talvez, se comunicasse por telepatia. Sempre bem alinhado dentro de um terno bem cortado, porém antiquado  –  e  quadrado  –  sua  postura e vozeirão sempre impunham o respeito... ao menos, aparentemente. Mas, para Yashalom, ele ainda parecia uma tábua grossa de  madeira, que perambulava sorumbática pelos longos corredores da Escola Federal Darcy Ribeiro, com os ouvidos de um cão e os olhos de uma águia, embora ele afirmasse ter grau oito de miopia em cada olho. 

Chegando ao gabinete, a porta abriu para uma sala ampla e arejada, obsessivamente organizada, limpa e geométrica. A atmosfera só se tornava um pouco mais natural devido à  janela que tomava toda a parede atrás da mesa, deixando transparecer o verde intenso do jardim da escola. 

" Eu... serei suspensa...? " –  Impaciente e quase em pânico, Yashalom perguntou numa voz fugidia. 

" Sente-se e me aguarde. " –  Foi a resposta seca do Coordenador, puxando uma das duas cadeiras que havia de frente à escrivaninha. 

Por um instante, passou pela mente de Yashalom aproveitar a ausência do Prof. Rubens e fugir dali, mas a sua parte racional foi tão rápida quanto o seu instinto de sobrevivência, alertando-a de que aquilo seria uma grande idiotice. Suspirou com pesar e sentou-se, pondo a mochila sobre as pernas. 

Sozinha naquela sala sisuda, ela sentia como se  as estantes de livros e pastas fossem engolfá-la, comprimindo-a entre elas. Teve um tremor e resolveu se concentrar na ampla janela, onde tudo se tornava tão diferente, como se fosse transportada para outro mundo. 

Havia uma árvore de copa frondosa que farfalhava suavemente pelo vento que corria manso àquela hora da manhã. Os brilhos do sol se difundiam por entre as folhagens. Aquela dança lenta, de folhas e luzes que piscavam em profusão, fez com que Yashalom entrasse  em  um rápido estado alterado de consciência, fazendo-a se lembrar dos sonhos estranhos que vinham povoando suas noites há alguns meses.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 2


Yashalom saiu correndo do banheiro, largando o roupão e a toalha de qualquer jeito sobre a cama. Em apenas alguns minutos, veste o uniforme escolar, resmungando enquanto olhava para o relógio sobre o criado-mudo. 

" Droga-droga-droga! Não acredito que se passou meia hora! Isso é impossível! Não fiquei nem dez minutos no banheiro, tenho certeza! "

Do quarto, ainda terminando de enxugar e pentear às pressas os longos cabelos negros, Yashalom vai à cozinha procurar algo para comer que já estivesse pronto, pois não havia mais tempo sequer para preparar uma xícara de café ou tostar os pães. 

" De novo atrasada! Assim nunca tomarei um café da manhã decente! "

Com o uniforme descompassado, a mochila jogada e quase caindo do ombro e dois cream-crackers presos à boca, Yashalom desce apressada a escadaria da casa, quase aos tropeços. 

E é aos tropeços que chega ao ponto de ônibus, que fica a menos de cem metros da sua residência. A rua estreita, de pouco movimento, ladeada por casas coloniais e muito verde dos pequenos jardins, canteiros e árvores, denunciava o ar bucólico do bairro sulista de sugestivo nome Bosque. 

" O ônibus já passou! Tomara que o próximo não demore tanto! "

E foi choramingando que Yashalom esperou mais longos dez minutos até o próximo ônibus surgir. Não era o que passava em frente à sua escola, mas o que a deixaria em um quarteirão mais distante. 

Quinze minutos mais tarde, espavorida, salta do coletivo. Correndo, a garota vence a distância de um quarteirão - daqueles grandes! - até o portão de entrada da escola que, por sorte, ainda estava aberto. O pátio, já vazio de alunos, demonstrava o quanto ela estava atrasada. Aproveitando a sorte que teve ao encontrar o portão aberto, entra pé-ante-pé, rezando para que ninguém a flagrasse, já quase alcançando o corredor principal. 

" Outra vez perdi o primeiro tempo de aula! Assim não dá! Se o Coordenador Rubens me pegar novamente... "

" Srta. Sant’Anna! Eu já lhe adverti sobre esses seus atrasos! "

Yashalom estacou, alarmada. A essa altura do campeonato, não sabia se a sua imaginação fértil estava falando alto demais ou se havia sido pega novamente pelo Prof. Rubens! Vacilante, ela se vira, esperando tolamente de que se tratasse apenas de mais um delírio seu. Porém, suas esperanças se derretem juntamente com suas entranhas. Tentou, ao menos, gaguejar uma desculpa qualquer. 

" Eeeh, eeu, beeem... "

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Asas Negras - Cap 1 Sonhos - Parte 1


São seis horas de uma manhã ensolarada, quando o relógio de cabeceira toca, despertando Yashalom com um som melodioso. Recebeu as primeiras impressões do dia através dos raios finos de sol que perpassavam as frestas da cortina de bambu. 

Apesar de acordada, a menina ainda permanecia entre o Mundo dos Sonhos e o Mundo Físico, vendo imagens etéreas passando embaçadas diante de seus olhos, até desvanecerem no ar. Mesmo zonza, se levanta e espreguiça, fazendo algumas articulações estalarem com esse gesto. Sua silhueta é contornada pelos filetes de sol que invadem o quarto, na querença de romper com a penumbra, insistindo que a noite já havia passado. Mecanicamente, toma o caminho para o banheiro. Só acordaria, de fato, após o banho de ducha forte. 

Enquanto se enxuga diante do espelho sobre a pia, embaçado pelo vapor do chuveiro, Yashalom foca em seus próprios olhos refletidos, de vários matizes azuis, com seu rosto parcialmente encoberto pela toalha branca. 

Como se mergulhasse em um transe, ela toca sua própria imagem refletida: dedos com dedos, olhos dentro dos olhos. Por alguns instantes, a imagem do espelho ondula como fosse a água de um lago, e se modifica. 

Diante do espelho está uma criança de quatro anos, admirando-se. Às suas costas surge uma mulher esguia, de longos cabelos negros, que a trata com doçura. Feliz ao ver a mulher através do espelho e ouvir sua voz mansa, a criança sorri e corre para os braços vigorosos, que a erguem ao colo, deixando revelar algo que poderia ser interpretado como uma deformidade: um par de pequenas asas de luzentes penas negras. 

A visão desta anomalia faz Yashalom despertar de seu devaneio com um impacto, com a sensação de ter caído do alto de um muro. Tal sensação já lhe era uma velha conhecida, uma pequena reminiscência do desdobramento astral que ela sequer sabia existir, e menos ainda de que ela era naturalmente capaz de se projetar. Acabou por ignorar a visão e o baque subsequente, esquecendo do sonho e se alardeando com algo muito mais urgente. 

" Aah! Mas que droga! A hora! "

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Asas Negras - Prólogo - Parte 7


" É tudo muito difícil, não sou eu que estou tornando as coisas assim! Não posso abandonar a minha terra e o meu povo quando eles mais precisam do poder que eu possuo! Passei dias pensando em tudo isso, em nós, e lhe garanto que não foi nada fácil tomar essa decisão, Ellen! Eu quero que você viva, independente se estará ao meu lado ou não! Quero você viva e bem! Mesmo que em outro mundo, até mesmo com outro homem... desde que esteja viva e segura! "

" Zach! "

" Por favor, Ellen! Você não sobreviverá aqui, mesmo que ficasse com o meu pai e minha irmã! Eles mal poderão garantir a própria sobrevivência e eu mesmo não posso dar garantias de que não perecerei nesta guerra! "

 Ah, que ótimo então, Sr. Zach! Além de me enviar contra minha vontade ao um mundo que não quero mais pertencer, me privar de tê-lo ao meu lado, ainda vou para lá na incerteza de que você sobreviverá! Isso é crueldade, seu demônio arrogante! 

O rapaz sorriu um sorriso desprovido de alegria. 

" A crueldade faz parte da nossa natureza, minha adorável humana... " – O falso sorriso, por fim, desvaneceu, cedendo lugar ao desalento. " É necessário que eu faça isso, Ellen... não poderei lutar como devo se eu tiver você aqui para me preocupar, e assim não serei capaz de defender nem a você e nem a mim mesmo. Por favor, peço apenas que compreenda! "

" Eu compreendo... " – Mariellen suspirou, cansada. " Deus sabe o quanto entendo a nossa situação e sabe que eu já esperava por isso, quando você foi convocado para essa maldita guerra! Que meu coração, de alguma forma, havia pressentido de que seríamos afastados um do outro por muito tempo! Por isso pedi a Deus que me desse algo seu... que me ligasse a você para sempre... e Ele me deu! "

Mariellen aproximou-se de Zach, envolvendo as mãos delicadas no rosto dele, olhando-o fixamente dentro dos olhos, já não mais estranhando as pupilas fendidas como as de um gato. 

" Estou esperando um filho teu, Zach... Eu estou grávida! "

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Asas Negras - Prólogo - Parte 6

Por um instante, o coração de Mariellen gelou, mas logo uma luz de esperança brilhou e o esboço de um sorriso se formou em seu rosto. 

" Voltaremos para a Terra? Ficaremos por lá até a guerra acabar, é isso? E por que não trouxemos Zakiyah e o Sr. Ailã? Eles ficariam mais seguros conosco! "

O Órix começou a galgar os rochedos que levariam à gruta escondida no pequeno outeiro. Mariellen ficou na expectativa de ter as suas respostas, mas a luz de esperança que havia acendido se apagava, pois, de alguma forma, pressentia que Zach não estaria com ela. Ele, por sua vez, adiava o máximo que podia em informar de sua decisão. 

O animal parou na laje, que daria entrada à gruta, e Zach apeou, descendo a esposa em seguida. Mariellen estava rígida, os olhos marejados e a respiração opressa, mas manteve-se em silêncio, aguardando para que o esposo se pronunciasse, embora ele estivesse evitando isso. Para ganhar mais algum tempo, o rapaz despiu as braçadeiras, a couraça e a cota de malha que usava por baixo, ficando apenas com a túnica em couro macio que protegia a sua pele do atrito e calor dos metais da armadura. Voltou-se para a esposa, envolvendo as mãos no rosto dela e absorvendo os traços em sua memória, até que a urgência de senti-la junto a ele fosse mais forte. Envolveu-a em seus braços e a beijou como fosse o último ato de sua vida. 

Abraçou-a ainda mais firme e mergulhou o rosto nos bastos cachos dourados que pendiam soltos, tentando absorver toda a Essência dela, pois era o único tesouro que queria levar deste mundo caso ele morresse na batalha. 

" Perdoe-me, Ellen..." – Sussurrou ao ouvido dela. Mariellen reprimiu um soluço, mas sua voz ainda assim saiu embargada. 

" Eu não irei para a Terra sem você, Zach! Não ficarei lá enquanto você estará aqui em meio a uma guerra! Se você ficar, ficarei também e correrei os mesmos riscos que você! "

" Não! " – Zach bradou, se afastando de Mariellen. Ainda a segurava pelos braços, encarando-a nos olhos. " Você não correrá risco nenhum, Ellen! Você irá para a Terra e voltará para a casa dos seus pais! Você não pode ficar aqui, não sobreviverá! E eu não poderei protegê-la! "

" Por que está tornando tudo difícil?! Por que simplesmente não larga tudo isso e vem comigo? Eu não vou ficar sem você, Zach! Não posso ficar! "

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Asas Negras - Prólogo - Parte 5

Zach baixou os lábios até os de Mariellen, beijando-a e, desta forma, transmitindo sua Energia Vital. Depois de instantes, o sangue começou a circular novamente pelo rosto da moça, devolvendo-lhe o rosado dos lábios e das bochechas. Ela abriu os olhos azuis celestes, que refletiram o clarão vermelho-alaranjado do céu do poente. 

" Perdoe-me, Ellen! Não queria amedrontá-la! " – Zach sussurrou, agora muito mais calmo e embevecido pelos azuis celestiais daqueles olhos tão brilhantes. 

Mariellen ajeitou-se sobre a sela, respirando o ar em golfadas e reprimindo uma náusea. Voltou-se para Zach quando sentiu que não havia mais riscos de pôr para fora o lanche da tarde. Tocou no rosto dele com dedos frios e vacilantes. 

" Não imaginas como senti a tua falta! E como eu tive medo por ti! E quando te vi, pensei que tudo ficaria bem de novo e que iríamos para a nossa casa! Tenho algo muito importante para te contar e queria fazer isso em nosso lar! "

Zach fechou os olhos com pesar, sentindo finalmente a dor e a angústia daquilo que ele pretendia fazer. Beijou com leveza a fronte da esposa, puxando as rédeas do Órix e voltando à corrida, porém desta vez mais leve, quase apenas passadas largas. 

A moça não estava gostando do rumo que eles tomavam. Conhecia aquelas paragens, embora tivesse passado por ali apenas algumas poucas vezes e a vegetação estivesse sempre em mutação. Definitivamente, não era para casa que eles estavam indo, afinal esta ficava na direção oposta, à raiz das montanhas e próxima às cachoeiras. E por que Zach permitiria que o pai e a irmã partissem sem ela? Ela era assim tão inútil que os atrapalharia?! 

" Zach! Por favor! Para onde estamos indo?! "

Zach não respondeu de imediato, embora não pudesse adiar isso por mais tempo. Respirou fundo. Não desviou o olhar do caminho em que iam para responder à moça. 

" Estamos indo à gruta... "
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